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12/09/2014

A Torre Acima do Véu (Roberta Spindler)

Olá queridos amigos!
Sim, sei que estou sumida do blog.
Sim, peço desculpas.
Sim, vamos esquecer esses detalhes e seguir em frente *ABRAÇANDO TODOS VOCÊS*

Hoje trago para vocês uma distopia eletrizante ft. intrigante ft. viciante. Estou falando do livro 'A Torre Acima do Véu', da autora nacional Roberta Spindler (co-autora de Contos de Meigan - A Fúria dos Cártagos). O livro foi lançado em Agosto, na Bienal do Livro (São Paulo), pela Giz Editorial. E já adianto que a Giz fez um excelente trabalho, a estética do livro é muito bonita, capa, diagramação, tudo! 

Voltando...
Em A Torre, temos uma sociedade restringida a viver em mega-edifícios e arranha-céus (imagem prédios de 300/500 andares, sim amigos...), pois, acerca de 53 anos atrás (considerando a cronologia apresentada no livro), uma névoa misteriosa -e aparentemente letal- cobriu todo o planeta, forçando os sobreviventes a se refugiarem acima da névoa. Ao que se sabe, a névoa não apenas é letal, mas também ocasiona mutações, transformando as pessoas nos chamados sombras (criaturas macabras com força descomunal, feios que só o capeta, com veias azuladas, primos de segundo grau dos orcs, sobrinhos do predador).
Em condições de regresso tecnológico, escassez de alimentos, remédios e afins (pois não houve tempo para salvar tudo da névoa), essa sociedade, chamada Nova Superfície, vive sob liderança da chamada Torre, uma organização liderada por Emir. 

O mundo não é mais dividido em países, mas sim em grandes blocos econômicos e maga-cidades. A trama irá se passar no território da mega-cidade Rio-Aires (pelo próprio nome já dá para ter noção da dimensão de território), tendo como principal personagem a jovem Receba (Beca). Uma saltadora que, junto com o irmão e o pai, efetua busca e entrega de mercadorias em troca de equipamentos (armas e outras tenologias), cubos de luz (unidades de energia que podem sustentar, em termos de eletricidade, por um bom tempo) e outros recursos.

*interrompendo a programação*
Mas o que você quis dizer com "saltadora"?
A mutação causada por exposição à névoa nem sempre resulta nos sombras. Depois do aparecimento do véu misterioso, várias crianças nasceram com habilidades especiais (chamados ALTERADOS), podendo, por exemplo, teleportar-se ou até ter visões do futuro. Nesse caso, Beca é o que chama-se de saltadora, ela tem habilidades incríveis para se locomover dessa forma e isso ajuda bastante nas missões como entregadora.
*voltando a nossa programação normal*

Em uma das missões, a família de Beca se mete em confusão com a Torre e são intimados a executar um reconhecimento num Setor afastado e perigoso, local onde um grupo de mergulhadores (profissionais treinados pela Torre para descer sob a névoa e coletar informações relevantes) teria desaparecido, provavelmente cercado pelos sombras. A missão não apenas revela fatos assustadores para os envolvidos, mas também resulta em uma tragédia que, mais tarde, resultará na ida de Beca e uma equipe, eu diria, heterogênea, para além do véu. E aí, amigos, acompanharemos Beca na descoberta dos segredos mais [se você já seu o livro, insira aqui um adjetivo que represente a sua impressão, porque eu ainda não encontrei uma palavra que me represente, só posso dizer que fiquei LOUCA] por trás da névoa.
Terminei esse livro com um sentimento que... nossa!


O livro, apesar de não ser muito grande, contém muitas informações, sejam relacionadas à trama em si, ou ao universo criado pela autora, então recomendo fortemente que leiam A Torre com bastante atenção. A escrita da Roberta é fluida e ela descreve muito bem cenas de ação (e ação é o que NÃO FALTA no livro), é inevitável se envolver pela trama e sentir AQUELA adrenalina, fora a curiosidade em desvendar os segredos por trás da névoa.

Chamou muito minha atenção a parte política do cenário criado pela Roberta, com toda essa coisa de divisão do mundo em super Blocos, a organização em mega-cidades. Por sinal, o livro todo é recheado de expressões em espanhol (como el viejo, chica, 'carajo' LOL), parece algo simples, mas que expressa claramente a mistura das culturas dos países latinos com o passar dos anos.

A Torre representa a sociedade opressora e mimimi que tem em todas as distopias, MAAAAS... meus sentimentos em relação a essa organização e ao Emir foi bastante do que sinto em relação aos antagonistas das outras distopias que já li. Em nenhum momento consegui odiar A Torre ou Emir; apesar das decisões dele irem de encontro aos interesses de Beca (nossa heroína), quando penso no Emir ou na Torre, eu apenas penso no PESO do que é precisar ser responsável e ter que cuidar de milhares de pessoas. Não me refiro a altruísmo, mas no conflito em ter que tomar decisões difíceis, que machucam, pensando em um bem maior. Penso que a Roberta soube incutir muito bem esse conflito, essa carga da liderança de uma sociedade na figura do Emir.

Vale ressaltar que, no decorrer do livro, temos as Transmissões que a Torre executa (pela voz de Emir) para toda a Nova Superfície, sempre lembrando a história do surgimento dessa nova sociedade, os feitos ~~magníficos~~ da Torre em prol de todos, a repressão àqueles que não seguem as ordens da liderança e notícias importantes (como o Plantão da Globo). Mas uma coisa é sempre, SEMPRE DITA: Respeitem a Torre acima de tudo.

Sobre os demais personagens, eu gostei de todos, creio que todos tiveram sua devida participação na trama, não identifiquei ninguém solto ou desnecessário. As personalidades casaram bem para dar um toque de leveza e humor. A combinação da Beca-pavio-curto-ranzinza e do Rato-Galanteador-aparentemente-barato-mas-que-esconde-segredos-inimagináveis me renderam boas risadas e, LÓGICO, alguns suspiros. O toque de romance do livro foi bem equilibrado e verossímil, não destoando da tensão dos acontecimentos.

Em uma entrevista durante o programa Sem Censura, a Roberta comentou que é possível que ela escreva outras histórias ambientadas nesse universo da Torre (ROBERTA, AMIGA, EU QUERO UMA CONTINUAÇÃO, ISSO SIM /BRINKS) e eu realmente espero que ela faça isso!
No geral, o arco do livro é fechado, mas não nego que há uma deixa para continuação (ROBERTA MALVADA).

Muita coisa tem saído sobre o livro, mapas, as próprias transmissões e algumas ilustrações dos personagens, vocês podem conferir tudo diretamente no blog da Roberta \o/

Recomento fortemente a leitura do livro! A Torre Acima do Véu é mais um exemplo de que temos uma excelente safra de autores nacionais e nós, leitores, façamos a nossa parte: leiam, surtem, apoiem, divulguem! Arrisquei-me sob a névoa e não me arrependi!!


Até a próxima.



01/09/2014

[Especial Gone] Mentiras

A série Gone está aí para provar que, sem dúvida, tudo que está ruim pode piorar.
No terceiro volume da série, as crianças do LGAR estão há 7 meses na cúpula.
7 meses de muitas dificuldades, porém há uma linha tênue de estabilidade. Por enquanto.
O autor definitivamente sabe deixar nervos aos frangalhos. 
As crianças parecem estar se acostumando a sua nova realidade. Agora há um conselho com alguns representantes para tentar manter a ordem, mas ordem é um termo improvável no universo de Gone.

Nesse mundo de tormentos fora do comum, o quanto é possível que os mortos voltem a vida?
Uma das meninas morta e enterrada no livro 2 volta a andar e falar. Ela não parece 100% lúcida, mas tão pouco parece perigosa. No entanto, as crianças já estão frágeis demais. Será que elas aguentariam mais esse choque?
Também há uma menina que dizem que é uma profetiza. Ela consegue vagar nos sonhos dos pais das crianças presas e passar recados. “Deixo-os ir”, ela diz.
Parem e pensem no pânico que isso causaria. O puf, desaparecer é uma saída para o LGAR? E a morte?

Segredos e mentiras constituem o eletrizante livro 3 da série Gone. Vários questionamentos muito interessantes são levantados. A comida ainda é escassa, o medo ainda é o melhor amigo e as atitudes que precisam ser tomadas são extremas. É doloroso ver o crescimento obrigatório que as crianças passam. Tudo é uma questão de sobrevivência e é muito fácil morrer. Ou perder alguma parte do corpo... Sério, tudo de ruim que pode acontecer, simplesmente acontece. As crianças não sabem lidar. Elas não deveriam lidar. 


“O estranho era que isso não parecia mais estranho para Astrid... Crianças de olhos profundos. Crianças com feridas abertas, sem tratamento, quase ignoradas... E armas. Armas por toda a parte. Facas, que iam desde grandes facas de cozinha enfiadas no cinto até as de caça, com ornamentadas bainhas de couro. Pés de cabra. Pedaços de cano com cabos de fita adesiva e correias. Alguns tinham sido mais criativos ainda. Astrid viu um menino de 7 anos carregando uma perna de mesa, de madeira, à qual havia colado grandes cacos de vidro.
E tudo isso havia se tornado normal.
Mas, ao mesmo tempo, meninas carregavam bonecas. Meninos enfiavam bonequinhos de plástico nos bolsos de trás. Revistas em quadrinhos manchadas, rasgadas e velhas ainda se projetavam dos cós das calças ou eram seguradas por mãos com unhas compridas e imundas como as de um lobo. Crianças empurravam carrinhos de bebê com suas poucas posses.
As crianças de Praia Perdida eram, na melhor hipótese, uma visão lamentável.”

Em contra partida a dificuldade natural, claro que sempre há espíritos de porco para complicar. A galera humana está a cada dia mais atarantada para dar um fim as aberrações. E atitudes infelizes resultam em consequências infelizes. Praia Perdida está longe de encontrar paz. Não com mortos voltando a vida ou com a liderança tão confusa. Mas esperar o quê? São crianças! Os mais velhos tem 15 anos de idade! Os que tem o mínimo de juízo fazem o que podem, mas perder o controle é normal e muito aceitável.
Mesmo com situações tensas, a linguagem do livro é super fácil e fluída. É interessante como é palpável que o livro trata de situações com crianças/adolescentes; diálogos, dúvidas, postura de comportamentos, tudo entrega a faixa-etária dos personagens. 

Neste livro também surgiram personagens novos. 5 crianças estavam isoladas em uma ilha particular e vivendo bem melhor do que qualquer uma do LGAR (no que diz respeito a alimentação e segurança). Mas elas precisam sair. São 7 meses sozinhas e uma delas está muito doente. Sanjit e Chu são os mais velhos e eles tem suas próprias dificuldades e seus próprios pontos de vistas. Ao meu ver eles estão bem preparados para essa dificuldade real, pois eles já a conheceram antes. Essas crianças são filhos adotivos de 2 atores famosos e vieram de lugares de guerras e mortes e são sobreviventes. Adoro a perspectiva delas sobre o passado, presente e futuro e, acima de tudo, adoro naturalidade que Sanjit se adapta a tudo isso. Acho que Michael Grant enfim apontou alguém para me apegar. Ou seja: danou-se.

“Mentiras”, como um bom livro da série Gone, é de uma aflição sem limites. Porém, há fatores que esclarecem vários questionamentos importantes sobre a série. Cheguei a conclusão que Michael Grant é louco, porém genial. Genial.

Minha reação com o final desse livro
Sério, Michael Grant fecha esse livro da forma mais arfante possível. São 5 segundos que me deram uma taquicardia mais forte que qualquer paixão que já tive na vida (e já tive algumas, hein).
Não sei de onde ele vai tirar mais desgraças para mais 3 livros, porém aprendi a não duvidar desse talento do mal do autor. 
Dói, amigos. Dói.